Where We Were???


Pão dormido

 

Me vejo com as pragas de Knos. Maldito seja em sua infinitude de manifestações de fraqueza e auto-piedade. E que seu Senhorio não leia minhas pragas. Talvez eu seja amaldiçoado pela faina e não me deixe mais olhar em volta. Seria uma bênção pela liberdade de não desejar. O maior castigo por não ter mais por onde desejar na carne e osso, mas só nas malditas idéias que corroem a alma, ao invés da carne.

Me pergunto, como Hubert, se haverá paz um dia... se haverá silêncio e se serei largado às traças, sob as bênçãos do vazio, pelado e sujo num quarto escuro, como todos os doidos. Ainda que não me tenha visto como o esquizofrênico das bulas dos tarjas pretas e esteja falando por mim e por meu desejo, não consigo deixar de vislumbrar possibilidades sombrias de um sorriso largo e despreocupado, motivado por medos que talvez jamais entenda plenamente, apesar de flertar com eles a todo momento. Sob as provocações e impropérios do vulgo e suas manifestações, cutucando as feridas gosmentas e fedidas desses miseráveis pra ver se movem algo mais que o membro gangrenoso e dolorido. Mas só ouço impropérios.

Até que a gente para de chutar, desiste e sai andando. Só a solidão poderá aliviar essa angústia maldosa e imbuída. Inútil...



Escrito por Pravus às 16h41
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Lições de uma noite não dormida

 Acho que vou ter que arcar com o fato de ter coisa demais pululando na mente. Depois de anos no inferno tentando lidar com isso, acho que cheguei onde queria, e de certa forma, precisava, e até desejava: como domar a infinidade dos pensamentos. Algumas regrinhas simples...
1. Não tente dormir com idéias na cabeça. Não dá pra dormir. Eles acabam adquirindo vida própria e se auto-organizam.
2. Deixar os demônios passear livremente é muito melhor do que deixar os malditos berrando atrás das grades. O mundo que se foda se eles não forem lá muito bonzinhos...
Adendo: No caso de você se foder por causa dos demônios, bem, azar o seu. Então deixe de dormir com o barulho que eles fazem.
3. E se a noite acabar e você não pregou o olho, café bem forte e mantenha-se pensando.

Um dia a gente chega lá.


Escrito por Pravus às 16h07
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Segundo o especialista...

 Nem sou eu que tô dizendo, mas um sujeito que deve ter uma boa idéia da coisa. Sem apologias, mas vá se saber, não???

O casamento é uma prisão?
Nem discuto isso porque para mim é a coisa mais evidente do mundo. Aliás, você jura diante de Deus, das testemunhas, que vai amar até o fim da vida. Não tem cabimento uma coisa dessas.

E isso é impossível?
Não acho impossível, mas acho impossível jurar isso. Como é que posso prometer uma coisa dessas? Tinha que ser: “Estou amando você, vamos fazer força para durar”. Agora, “Juro que vai durar a vida toda?”. É a repressão matrimonial. Ou seja, falamos da repressão sexual e agora da matrimonial, que é seguida pela repressão maternal.

Entrevista completa em http://revistatpm.uol.com.br/48/vermelhas/02.htm

E tenho dito...


Escrito por Pravus às 16h07
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O Bigode... de novo...

 "A maior inimiga da verdade não é a mentira, mas a convicção"

Pra variar, Nietzsche me colocando a matutar...
Numa linda manhã, ainda.


Escrito por Pravus às 16h07
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Indigesto

 As maravilhas da intimidade podem se tornar um inferno quando se instala por algum motivo num relacionamento algum evento que motiva qualquer tipo de desconforto. E me refiro a qualquer relacionamento onde efetivamente haja intimidade, bem como qualquer evento que gere excesso de cautela no trato.
Repentinamente o que eram momentos de alívio e tranqüilidade para seguir com as idéias e angústias sem prevenções, se transforma num penoso exercício de tolerância e silêncio. Não há motivação para o exercício da intimidade. Não há mais o por que da intimidade. A indiferença toma lugar e a reboque seguem as amenidades; os assuntos tangenciam e orbitam a sua essência, mas não se aprofundam. Um esquiva, outro busca.
O esquivo se angustia com o fugir. O outro, com o acesso que sempre fora imediato e providencial e que agora é evitado. Os olhos pouco se cruzam e o seu encontro é rápido e embaraçoso.
Há jeito? Como pessimista convicto, duvido. E no papel fugidio, há mais alívio do que pesar pelo distanciamento.
Indiferente ao tempo, que ele faça seu papel. Seja lá qual for...


Escrito por Pravus às 16h06
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Fracos...

 A brincadeira é o desabafo do coitado que não tem peito para falar o que pensa de alguém ou alguma coisa. Nietzsche, pra variar, tinha razão...

“Quando os oprimidos, espezinhados, violentados, dizem a si mesmos, movidos pela vingativa astúcia da impotência: 'Sejamos diferentes dos maus, sejamos, precisamente, bons! E bom é todo aquele que não violenta nem fere ninguém, que não agride, que não se desagrava, que deixa a vingança a Deus, aquele que, como nós, se mantém escondido, se desvia de todo o mal e pouco pede à vida, tal como nós, os pacientes, os humildes, os justos’ – isto, se ouvido de modo frio e sem prevenções, não significa outra coisa senão: ‘O fato é que nós, os fracos, somos fracos; é bom que não façamos nada daquilo para o que não somos suficientemente fortes’”.

E tenho dito...


Escrito por Pravus às 16h06
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Utopia

 Confesso que estou cansado. Cansado das coisas em geral. O corpo vai, mas a mente reclama.

Não sei se férias resolveriam isso. O fato de imaginar as coisas voltando a ser como sempre, depois de um momento de utopia existencial, talvez seja mais danoso do que a idéia de continuidade que se estabelece quando a gente se cansa das coisas.

Ainda assim, não quero pensar muito no assunto. Vamos indo e sem excesso de conformismo. Reclamar um pouco não deixa a gente dessenssibilizar das tragédias desse mundo louco.

E vamo que vamo...


Escrito por Pravus às 16h05
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Hambúrgueres, Metralhadoras e a Viagem Perdida

 Cientista é uma raça do cacete. Vivo perto deles e vejo o quão tacanha pode ser uma criatura dessas. Eles cansam de meter o pau nos ignorantes e nos fundamentalistas religiosos mas mal percebem que são tal e qual os ditos. Pra minha decepção, como cientista, e me vendo num caminho que hoje vejo sem volta, a ciência acaba exigindo um celibato intelectual tão ou mais estupidizante do que o requerido de um evangélico. Tanto o dito Povo de Deus quanto os cientistas vivem num mundo de faz-de-conta e assim como os que se entregaram voluptuosamente à busca de dinheiro e poder, tudo acaba sendo fenomenologicamente igual. Quem vive cegamente de Artigos Científicos, Deus ou de sua Companhia Inc., só consegue mesmo é ver a chama bruxuleante do sucesso. No final das contas todos querem mesmo é estar no mainstream; o aumento de salário, a promoção a gerente, diácono ou professor adjunto, no final das contas todos vivem em busca de algo bem diferente daquilo que é a essência da sua congregação e militância.
Vou é fritar hambúrgueres. É mais digno, honesto e a essência da coisa está na beleza de uma suculenta e bem-temperada carne. Cebolas douradas no molho inglês com bastante queijo. Fatias de bacon bem fininhas, tomates frescos com alface picada e levemente temperado. Pão macio com gergelim e uma bacia de batatas fritas. Pode haver causa mais nobre do que essa? Está lá. Não depende da minha fé. E esses caras ficarem se matando por algo que nem eles acreditam direito ou sabem por que acreditam. Vai contar história-pra-boi-dormir em outro terreiro, mas pra cima de mim, não!!!
Ao menos a ciência deveria se basear na humildade tanto quanto a religião ou a contemplação do que é bom ou belo. Ao invés disso se esquecem que a melhor visão num tubo de ensaio não resvala nem de perto a grandiosidade da natureza. Analisar um fenômeno sem isolá-lo de interferências, ainda que teóricas, é lidar com dados intratáveis e praticamente sem significado; analisar um sistema absolutamente isolado é criar uma fábula científica. E muitos desses ainda criticam os filósofos da ciência que dizem que a ciência não passa de uma manifestação social e da criatividade humana. E num limite não muito longínquo das discussões de corredor, o é certamente!!!
E vai tentar convencer esses tacanhos miseráveis. É lógico que sou um degenerado, irresponsável e imaturo. Eu tenho a ingênua e vã esperança de flertar com alguma possibilidade de verdade, ou pelo menos, com a validade dessa busca. Mas eu não consigo ver nenhuma diferença entre esses cientistas tacanhos e aqueles palestinos empunhando metralhadoras. Ideologica e idealmente, ambos são reflexo da mesma busca, da luta por uma causa cegamente e quase sem motivo determinado por si mesmo, mas por uma coisa que não sabem mais o que é exatamente. Discutir com os fundamentalistas é viagem perdida. E eles que se matem. Vamos nos esgueirando por entre esses monturos de cegueira, ignorância e umbigocentrismo por causas tão esotéricas na sua essência quanto viciosas na sua prática.
Será que um dia eu me arrependerei de ter pensado isso que aqui está? Pode soar como desabafo, mas meu pessimismo assopra diferente aqui no pé-do-ouvido. Mas é bom permanecer atento. Vai que Deus resolve me castigar, o referee recusar meu artigo e a indústria não me contratar. No final, ao menos, que ao vencedor sejam dadas as batatas, e o delicioso hambúrguer.


Escrito por Pravus às 16h04
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Estabilização de Humor

 "Não Misture os Departamentos da Sua Vida - Módulo Pessoal & Profissional"

A coisa fica brava e pra vida não parar, suma de casa, dê uma de doido e não perca tempo com idiotices, como dar bola pro vulgo. Mas não se esqueça das advertências em letras garrafais no índice.

"PESADO EFEITO ATENUADOR DO ÂNIMO E INTERFERENTE NEGATIVO NOS MÓDULOS AFETIVO E RELAÇÕES INTERPESSOAIS. NÃO CONSUMIR ALTERADORES DE CONSCIÊNCIA. EVITAR MANUSEIO DE MÁQUINAS. EVITAR DIRIGIR. EVITAR INTERAÇÕES AGRESTES COMO AMIGOS TRETADOS, EX-NAMORADAS
E CASOS PARALELOS. RECOMENDA-SE BOCA FECHADA E ALIMENTAÇÃO LEVE. EM CASO DE CONTATO COM BONS AMIGOS, RELATE O USO DESTE MÓDULO E NÃO OMITA DETALHES SOBRE SEU HUMOR."

Na dúvida, faça de conta que não é com você.


Escrito por Pravus às 16h03
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Melhor aqui???

Escrito por Pravus às 17h33
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Meu humor



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23/10/2005 a 29/10/2005




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